Um boicote é sempre um alerta

Posted: 28/01/2011 in Canas de Senhorim, Imprensa
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Há populações que parecem ter desistido de lutar. Como Canas de Senhorim. Só que Canas de Senhorim não desistiu. Está à espera. Está à espera que o PS deixe de ser maioria.

O Parlamento aprovou, com os votos contra do PS, a desanexação de Canas de Senhorim do concelho de Nelas. Era 1 de Julho de 2003. A população desceu, eufórica, à capital. Um mês depois, Jorge Sampaio vetou a proposta. Revoltada com o volte-face, a populaçãochegou a cortar a passagem dos camiões da Empresa Nacional de Urânio – entretanto encerrada.

Ninguém esqueceu. “Estou a falar dos boicotes”, diz Luís Pinheiro, subdirector da Escola EB 2,3/S Eng.º Dionísio Augusto Cunha de Canas de Senhorim, líder do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim, presidente da junta de freguesia, a uma eleitora que o vê ser fotografado na principal praça da freguesia. “Quem dera cá um!” – responde ela.

Sobra-lhe o que dizer. Com 12 anos de liderança do movimento, é como se tivesse tirado um curso de boicotes. “Acho que não votámos de 2000 a 2006 em todas as eleições menos nas locais.” E organizar uma coisa destas numa freguesia com cerca de 3500 eleitores não é como fazer um pudim de pacote. “É difícil fazer um boicote sem alguma unanimidade.” Ali houve-a. “O movimento era formado por gente de todos os partidos.”

Os boicotes eram apenas uma parte da luta iniciada com a queda do antigo regime. Houve cortes de estradas e de linhas-férreas, manifestações em Nelas e em Lisboa, reuniões e greves de fome. E, no fim de tudo isso, o professor de Música conclui: “O boicote não é um acto muito correcto em democracia, mas a culpa é dos políticos que não dão respostas adequadas. Quando um povo chega a isso é porque acha que não tem outra forma de se fazer ouvir.”

Canas de Senhorim reencontrou uma certa normalidade. Durante anos, a junta foi gerida por uma comissão administrativa. Em 2002, o movimento concorreu. Ganhou um, dois, três mandatos. Nas últimas eleições locais, alguns partidos apresentaram-se. Tudo pode recomeçar. Talvez baste o PSD voltar ao poder. “Para já, não há condições políticas para conseguir aquilo que reivindicamos. E temos de trabalhar no desenvolvimento da terra. Durante 20 anos, fomos abandonados. Tivemos de encontrar caminhos de entendimento com a câmara. O dinheiro de Nelas também é nosso.”

Ler na integra AQUI:

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