Antigos mineiros querem indemnizações para familiares daqueles que o urânio matou

Posted: 16/05/2011 in Canas de Senhorim, Imprensa
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Viseu, 16 mai (Lusa) — Cerca de meia centena de ex-trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio (ENU) concentraram-se hoje em Viseu junto à Segurança Social para exigir melhor rastreio médico e indemnizações aos familiares de “mortos por doenças das minas”.

O presidente da Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio, António Minhoto, disse à Agência Lusa, durante o protesto, que “é urgente” proceder a exames médicos a todos os ex-trabalhadores e seus familiares como estipula a lei aprovada na Assembleia da República.

“Não podemos aceitar que, desde 2007, mais de mil ex-trabalhadores têm direito a rastreio médico para despistar doenças com origem nos longos anos de trabalho com urânio e só 18 ainda tenham sido devidamente examinados”, acusou António Minhoto.

A luta dos ex-trabalhadores da ENU e seus familiares, muitas viúvas, começou logo em 1991, quando surgiram os primeiros despedimentos, e continuou após 2001, ano em que as minas encerraram em definitivo com o fecho de armazéns e stocks.

Uma das principais reivindicações era o acesso à assistência médica, com destaque para os rastreios a tumores, e o acesso às reformas, exigência que foram conseguidas em 2007, através de projetos de lei aprovados no Parlamento, faltando neste momento, explicou António Minhoto, “a legitima reivindicação de indemnizações” abrangendo viúvas e outros familiares.

Desde junho de 2010 que a lei prevê que o Programa de Intervenção de Saúde, que existe desde 2007 mas apenas destinado aos antigos trabalhadores, fosse alargado aos familiares diretos.

Mas, alerta António Minhoto, “o programa não está a ser aplicado em todas as zonas do país onde residem beneficiários”.

“Esta jornada de luta tem como objetivo, também, obrigar os partidos a definirem-se, porque a lei foi aprovada mas não está a ser cumprida. E que os partidos apresentem um projeto de lei que estipule o pagamento das indemnizações aos familiares”, apontou Minhoto.

Emília Campos Costa, ex-trabalhadora da cozinha das minas da Urgeiriça, “durante 40 anos”, e viúva de um antigo operário da ENU, na área da lavagem e pesagem do minério, esteve hoje em Viseu para, como explicou à Lusa, para “exigir uma indemnização” pela morte do marido e pela doença, um tumor, com que vive há 10 anos.

Já o marido morreu com um tumor e, perante este quadro, Emília Costa quer aquilo a que diz ser “um direito: Quero uma indemnização, estou nesta luta desde o início, o meu marido trabalhava no sector de pesagem do minério e empacotamento… morreu vai fazer 10 anos, morreu de cancro na garganta”.

“Eu também estou doente, era cozinheira lá, durante 40 anos… fui operada a um cancro nos intestinos, há 10 anos, desde que o meu marido morreu… e depois tive uma trombose”, lamenta esta antiga cozinheira da ENU.

Neste momento a associação de ex-trabalhadores aponta para a existência de mais de 150 casos de morte ou de doenças graves com origem no trabalho nas minas de urânio.

Presentes no protesto estiveram os representantes da CDU, Manuel Rodrigues, cabeça de lista por Viseu, e Carlos Vieira, número dois do Bloco de Esquerda pelo distrito.

Ambos afirmaram à Lusa estar desde a primeira hora com os mineiros e seus familiares e com a convicção que na próxima legislatura vão entrar projetos de lei dos seus partidos para garantir o pagamento das indemnizações reivindicadas pela Associação de Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio.

RB.

Lusa/fim

Retirado da Sic Noticias

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